domingo, 24 de julho de 2022
Amélia
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
Agustina - Régio: dois seres correspondentes
É o epistolário entre dois seres bisonhos, excepcionais na sensibilidade, Agustina a levar a palma em sarcasmo e em profundidade do pensamento, Régio, pretenso tímido, na defensiva, a defender o seu último fortim de sociabilidade, o Diana Bar, lugar que se tornou de desencontro.
E, como em toda a correspondência, ei-las as coisas miúdas, desde os reparos às pessoas, aos pequenos mandados, com a arca a comprar e a restaurar, que se tornaram duas sem que, ao final do livro, o leitor, tenha podido concluir se a segunda se chegou a concretizar.
O «luxo verbal» de Agustina está presente em toda esta escrita, adivinha a cerrada letra miúda, a ocupar toda a mancha do papel passível de ser escrita, e nela também os seus ódios e o seu orgulho, afinal a solidão, em paralelo com o misantropismo de Régio, confuso, proclamando humildade mas ardendo, afinal, no desejo de que os amigos gostassem dele e o lessem, ambíguo na sua contrição.
Claro que, como sublinha Isabel Ponce de Leão, na sua introdução ao pequeno livro, que em 2014 a extinta Babel editou, ainda com a marca Guimarães e a meias com a Câmara Municipal de Vila do Conde, a correspondência entre escritores presta-se ao voyeurismo, apelando ao consumo e assim ao aumento de vendas. Podendo ser esse o caso da primeira particularidade, e a ser ela pecado e não virtude de fruição privada, duvido que tenha ocorrido quanto à segunda.
Através do bem cuidado índice, o leitor reencontra lugares e pessoas. É útil, mas traz, como seu resultado preterintencional, o ir-se directo ao momento em que algumas das figuras literárias que se supunham amadas, aparecerem desfeiteadas com apreciações sinceras mas nada lisonjeiras. O voyeur rancoroso terá aí espaço para o seu deleite, breve, porém. Bem feita! Há que dar aos grandes o benefício de terem sobre o resto um outro olhar, cruel seja, até injusto.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
Um gesto inacabado de Deus
Biografando a Mãe, Mónica Baldaque biografa-se também, tornando indissociável a sua pessoa daquela que lhe deu o ser; em simbiose natural, Alberto Luís surge-nos, como elo inextricável dessa vida em comum, vida sua pautada pela dedicação à escrita de Agustina, consumida pela profissão de advogado, enriquecida pela arte de desenhar, desenhos de que o livro nos oferece exuberantes exemplos, pena a dimensão das imagens, nisso incluindo as fotografias, não transmitir, quanto devia, o que se sente quando se vê.
Escrita densa de sentimentos, perpassam por ela personagens que julgaríamos inesperados, momentos em que o suposto conservadorismo da autora de Sibila se nos revela em surpreendente inconformismo e mais surpreendente ainda rebeldia de espírito, em humor contido, em cáustico reparo.
Livro de memórias, de lugares, de habitações, polvilhado com pessoas também, nesta parte pode ser lido pelas que lá não estão, até as da vida da própria autora; relato de sociabilidade, é igualmente espaço em que a reclusão se expressa, nota-se pudor no que em outra mão surgiria ostensivo.
Há, eu sei, uma biografia de Agustina, que se tornou controversa. escrita por Isabel Rio Novo, sob o título O Poço e a Estrada. Mas o breve livro que Mónica Baldaque acaba de nos deixar, editado pela Relógio de Água, há um outro mundo em que aos pormenores do quotidiano se sobrepõem os sentimentos familiares e as sensações íntimas, os breves instantes que são um mundo a saber.
Quando, tempos de aventura, editei em álbum o inédito Colar de Flores Bravias, que Agustina escrevera, memória de sua infância, e Mónica Baldaque amorosamente ilustrou, pressenti então o que aqui leio. O livro ficou-se pelo tempo do esquecimento, a editora sumiu-se como um intervalo do que já vivi.
Livro singelo, afinal, como se caderno diário, tornando em escrita o que está num carta de sua Mãe: «Não estilizemos demasiado o que sentimos porque acabaríamos afinal por fazer da melancolia uma vaidade mais». É esta a sua beleza sem ênfase.
sábado, 16 de maio de 2020
Uma fuga ao pensamento
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Alienistas e Tribunais
Má revisão desfeou a paginação da obra sobretudo nas hifenizações. Mas que passe isso adiante, minudência oficinal em território de sublime.
Pudesse, copiava-os todos, magníficos que são, maravilhosos de espanto.
sábado, 20 de julho de 2019
Sarah Afonso: eu sou o que sou!
sábado, 6 de outubro de 2018
Agustina: ortografia e nascimento
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Agustina: a obra incompleta
quarta-feira, 24 de março de 2010
Abastardamento e canja de galinha
Onde vem isto? Na biografia de Floberla Espanca. São os a-despropósitos o que marca a diferença. Não visam
reforçar um discurso, surgem assim, desagregadores, geniais.








