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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A Revolta das Palavras

 
Um país governado por um homem de quem se pode dizer que é um mentiroso é um país ignominioso, tanto por ser dirigido pelo que mente, como por aqueles que o deixam continuar a mentir. Ressuscitei o blog A Revolta das Palavras. Não era possível continuar calado.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O tempo das cerejas

É uma obra de militância, não só política sendo o autor quem é, mas sobretudo cultural. Em cada esquina um amigo, em cada recanto uma surpresa. O blog chama-se O Tempo das Cerejas. O seu autor Vítor Dias. Está aqui. Fomos contemporâneos na Faculdade. A vida separou-nos. Encontrei-o este começo de manhã, lendo-o.

sábado, 26 de dezembro de 2009

O Almocreve das Petas


Há fantásticos modos de dizer: «desfile de putedos intelectuais pelas charnecas literárias ou artísticas». Vem no blog Almocreve das Petas. Veja-se aqui. É num texto a propósito do incêndio do prédio onde esteve anos a fio o Hot Club. E continua: «Entretanto o património arquitectónico jaz em ruína, as ancestrais associações culturais restam em incrédulo esquecimento, as artes esvaem-se sem honra nem afronta e espólios inteiros "fogem" para o estrangeiro. O absurdo silêncio sobre esses destroços públicos, que envergonha qualquer alma civilizada, imortaliza os “nossos” intelectuais e políticos». Mas há mais. Imperdível, que é uma forma muito em voga de se dizer.[na foto, o último almocreve em Portugal]

domingo, 1 de novembro de 2009

Nunca confiando em versos


Permito-me citar, deste companheiro de ciber-espaço, um blog que vai gerando o bom hábito de o ler:

«Dizias que gostavas de poemas.
«Escrevi-te, numa tarde, mais de cinco.
«São muito bonitos, disseste,
«hei de mostrá-los ao meu namorado.
«Nunca mais confiei nos versos
«nem no gosto feminil».
 
Os versos são de José Miguel Silva [Vista para um Pátio Seguido de Desordem, Relógio D’Água, 2003], o blog é O Funcionário Cansado. Ao primeiro porque escreveu, ao segundo pois que citou, muito obrigado. É uma forma risonha de ser domingo de manhã.

Um Buraco na Sombra, de Almada Negreiros



O mundo é circular. Cansado de livros, talvez passear. Eu bem sei que melhor que viajar é ler livros de viagens. Disse-o o Somerseth Maugham, sabe-se lá com que convicção. Mas ao menos um passeio à próxima esquina, debaixo de braço este meu guia:
«Terminada em 1969, pouco antes da sua morte, Almada trabalhou incansavelmente nesta obra. No entanto, quase podemos acrescentar que o fez a vida toda. A lição que se poderia adivinhar em O Número está aqui, tal como o artista procurou, “sem opinião” e “sem texto” no frio da pedra. Os diferentes motivos geométricos que durante décadas tomaram o seu pensamento são aqui apresentados. Por exemplo, a relação 9/10 no ponto mais à esquerda da obra ou, logo à sua direita, a figura superflua ex-errore de Leonardo Da Vinci. E até o título, de poeta, tem ressonâncias noutro momento da sua vida quando n’A Cena do Ódio diz “põe-te a nascer outra vez”».
É a Igreja de Fátima. Fica aqui ao lado. Os sinos tocam como nas aldeias. É a minha aldeia e eu nela. Sucedeu que antes de partir cruzei-me «porque hoje é domingo» com esta menção precisamente ao Almada, o autor dos vitrais da Igreja de Fátima. Um poema: «Mãe! Vem ouvir a minha cabeça contar histórias ricas que ainda não viajei!». São os Dias que Voam, o tempo que passa, a lembrança que fica.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Mulheres escritoras



Já se foi o tempo em que os blogs floresciam como cogumelos e eu me relacionava com eles como com gavetas, em cada um arrumando partes diferenciadas da minha vida. Depois ficou a jura de que não mais haveria escrita intimista na blogoesfera. Nasceu o blog que tomou como título parte do meu nome, António Rebelo da Silva. Dedicado a livros e a leituras não tendo pretensões, que seriam estultas, a blog de crítica literária nem de tesoura e cola de escritos alheios.
Recuperei hoje três outros blogs que são dedicados e cujas vidas não me pertenciam. Cada um deles é dedicado a uma mulher escritora, cuja escrita me marcou profundamente a sensibilidade: Clarice Lispector, Maria Ondina Braga, Irene Lisboa. Todas morreram já o que não morreu foi o sentimento que me une ao seu modo de ser.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A arte de não fazer nada



São verdadeiros actos de amor e de dedicação, quase um serviço público. Claro que muitas vezes são «picados», os seus textos, as imagens que editam, pura e simplesmente copiados sem ao menos a gentileza de uma menção. Conhecia os Dias que Voam, agora outro chamado Ilustração Portuguesa que me remeteu para um terceiro, o Artistas Portugueses. Publicam material antigo que anda muitas vezes pelos esconsos dos alfarrabistas, que os herdeiros jogam fora, com desprezo, ao esvaziar as casas vazias de quem os coleccionou. Num deles encontrei esta Crónica Feminina de 1964, dedicada à magnífica arte de não fazer nada.

sábado, 5 de setembro de 2009

Erros e enredos


«Há pouco, na TVI24, otómano em vez de otomano e Capadoce em vez de Capadócia.Hospitaleiros em vez de Hospitalários. Num documentário sobre hotéis e afins». «Há pouco, na SICN, legendavam a expressão “sangrar-se em saúde” proferida por Marcelo Rebelo de Sousa, assim: “sangrar sem saúde”.
É uma sangria ao cérebro!». Cito do magnífico blog Gasolim Ultramarino. Um nome insólito, um local incomum.