domingo, 4 de maio de 2008
Vidas vividas
sábado, 3 de maio de 2008
Pânico
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Muito e abundante
quarta-feira, 23 de abril de 2008
As entranhas do ser
segunda-feira, 14 de abril de 2008
O eu
domingo, 13 de abril de 2008
Sentimentos e qualidades
quarta-feira, 9 de abril de 2008
A incontável felicidade
terça-feira, 8 de abril de 2008
O Emaús da escrita
terça-feira, 1 de abril de 2008
O troco
segunda-feira, 31 de março de 2008
A qualidade do ser
sexta-feira, 28 de março de 2008
O acaso e a memória
quarta-feira, 26 de março de 2008
O livro das horas
segunda-feira, 24 de março de 2008
A insurreição
domingo, 23 de março de 2008
A anunciação da Aurora
sexta-feira, 21 de março de 2008
A loirinha
quinta-feira, 20 de março de 2008
Mecânica estatistica
domingo, 9 de março de 2008
O homem da maratona
sábado, 8 de março de 2008
O espelho
quarta-feira, 5 de março de 2008
A república dos corvos
segunda-feira, 3 de março de 2008
Viver à margem
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Obrigadinho à mesma
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Escrito algures
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Clízia
Não é ler, é estudar, de lápis na mão, a sublinhar, entrando pela errática cronologia das suas obras, pelas dúvidas sobre a sua formação humanista, pelas ambições venais do Secretário, e, chegava o comboio ao Pragal, o Tejo à vista, entrando eu pelas intimidades de saber se a Clizia, a última obra sua, uma peça sobre os efeitos devastadores do amor, representada dois anos antes da sua morte, não seria, em aguda e dolorosa consciência, a comédia da velhice, o crepúsculo senil dos ardores impossíveis, a morte anunciada do amar o amor que lhe deu seis filhos, um casamento, e o enamoramento pelos jogos de poder e sedução.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
O porvir da nostalgia
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Tiroteio editorial
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Trama
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
A repetição da História
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Uma história portuguesa
Convidou-me para lhe apresentar o livro. Daqui a pouco fá-lo-ei. Escrevi este texto, para servir como cábula do que direi.
Não é um crime pelo qual alguém se aproprie, embora possa haver apropriação; é um crime pelo qual alguém causa um dano, ao enganado ou a outro. Nisso, é parte deste mundo de lástimas em que nas Faculdades se ensina em volta do «bem jurídico» e nos tribunais se aturam os «males jurídicos», como ironizava ontem um amigo meu, ácido porque esperto, risonho porque irónico.
Mas o que torna a burla um crime atraente é, sobretudo, o facto de ser o crime das pessoas inteligentes. Diz o Código Penal de hoje que a burla concretiza-se através de um processo enganatório astucioso, como o Código Penal de 1886 dizia que se materializava pelo artifício fraudulento.
Ao contrário do ladrão, que pratica o furto apoderando-se de uma coisa, apreendendo-a, subtraindo-a, tendo que se mover, vulgar criatura, no mundo das coisas físicas e materiais, diversamente do que abusa da confiança, que entra na galeria imoral dos traidores, defraudando quem nele confiou, o burlão move-se no plano superior das ideias, usa da argúcia argumentativa, manipula o enredo discursivo, é mestre na arte da encenação, o engano é para ele um meio, o erro da sua vitima a vitória da sua inteligência.
No plano dos afectos, ele, o agente do crime é um amoroso, cortejador, longe da rudeza do gatuno, diferente da vilania do usurário, da malvadez congénita do extorsionário.
O burlão é um sedutor, perante o qual a vítima sente-se, consumado o acto, um idiota, um despeitado, ciumento face à urdidura a que se rendeu, enraivecido pelo desejo da vingança que aplaque a imagem de miséria intelectual com que fica de si mesmo.
Eis as palavras-chave em relação à burla: sedução e dano. Eis o caso Alves Reis.
A história é simples, na sua aparência: a reputada firma britânica Waterlow & Sons, tipografia especial, porque imprimia o mais valioso dos impressos, o papel-moeda, recebeu uma encomenda do Governo de Portugal, imprimir notas de quinhentos escudos, com a efígie Vasco da Gama.
Só que desta feita a encomenda tinha o seu «quê»: tratava-se de uma emissão duplicada, ou seja, com a mesma série numérica de uma emissão já em circulação.
Por ser assim, a encomenda era «secreta».
Para que Sir Wlilliam Alfred Waterlow, velho bulldog da praça financeira londrina, não desconfiasse, as notas em causa, a serem lançadas em circulação, sê-lo-iam no espaço restrito de Angola, pelo que, ao chegarem a Lisboa, ser-lhes-ia aposta a sobrecarga a óleo com o nome desta colónia do Ultramar.
Eis uma história já por si extraordinária: Londres honrou a encomenda, tendo tratado do negócio confidencial directamente com Artur Virgílio Alves Reis, portador de dois contratos forjados pelos quais era autorizado pelo Banco de Portugal a tratar do assunto com a casa impressora inglesa [continua aqui]
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
«Zé, eu não suporto mais isto!»
«De todas as sementes confiadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas». A frase é sua, seu o sangue, nossa a memória esperançosa de que não haja sido em vão.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Sintomático
À procura de uns papéis que não encontrava e que teimava existirem, dei com uns apontamentos manuscritos tirados não sei de que livro do Vergílio Ferreira. Numa qualquer página 45 dizia ele que «o maior sintoma de decadência é vivermos à conta do que já fomos». No caso dele as coisas complicaram-se porque, tirando a «Aparição» que tornando-se livro escolar corre o risco de se tornar para as novas gerações um livro insuportável, a maior parte da sua obra está esgotada e não se reedita.Um destes dias encontrei no lugar inesperado de um tribunal quem tivesse lido a «Conta-Corrente», esse diário em duas séries que ele amaldiçoava escrever e escrevia com amor. Fiquei espantado. Nesse dia senti que a profissão não seca as almas, apenas torna ressequidas as que já chegam a elas empalhadas em vida.
domingo, 13 de janeiro de 2008
O sentimento do reflexo
sábado, 12 de janeiro de 2008
O eu falar de mim
sábado, 5 de janeiro de 2008
A sabedoria da Rita
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
O mundo infinito dos livros
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Um critério em azul
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
O gozo imortal
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
O piar do passarinho
sábado, 22 de dezembro de 2007
A Lua Azul
Mas quantos sabem que a lua azul é a segunda lua cheia no mesmo mês? Aconteceu pela última vez no dia 31 de Maio deste ano.
A lua azul é a lua inesperada, a lua do improvável suceder.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
O homem de vastos amanheceres
domingo, 16 de dezembro de 2007
A perdição dos livros
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
O gato das botas
Houve tempos em que uma amiga minha, investigadora desse instituto, ao ver-me sair da gare ferroviária naquele propósito, me perguntou, em francês, que era então a nossa língua franca, por causa do meu rudimentar alemão: «fragile, qui, vous?».
Hoje foi-se a caixa, que comprara no J. B. Fernandes, ali perto da Praça do Município, que também já fechou. Foi-se a minha amiga alemã. Foram-se as fichas bibliográficas. Foi-se mesmo o chegar a Freiburgo, a pé que seja.
Hoje é tudo na base do computador.
É por causa disso que de quando em vez perco tudo, mais do que perdia: a paciência por exemplo, sobretudo quando me dizem que o problema talvez seja da «motherboard» e de eu não ter feito «backup dos psts's no server».
Houve tempos em que eu escrevia à mão e tinha tempo e paciência para passar tudo a limpo, à máquina. Hoje é tudo mais «fragile», «trés fragile», como descobri ontem que, como se tocasse piano, reaprendi a falar francês. Só falta miar, porque de dores lombares, dizem que por causa da posição defeituosa ao computador, elas são de ganir!
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
O primeiro violinista
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Erros na conjugação
domingo, 9 de dezembro de 2007
Camões e Macau
Ei-lo, enfim. «Camões esteve ou não em Macau?», pergunta Eduardo Ribeiro, um irmão a cuja seriedade eu devo não ter ficado enforcado na corda da infâmia naquele Oriente fatal onde ele se radicou. Como foi possível que tu nem a nós desses conta de que albergavas dentro de ti aquele valor que o teu trabalho demonstra?
A boca e os braços
sábado, 8 de dezembro de 2007
Charamba
Não sei que outro amor ao que se perdeu, paixão em agonia ao que se não tem, rasgão na pele dos sentimentos idos, melhor exprimirá este modo dorido de o dizer.